No conteúdo disponibilizado anteriormente, comentamos sobre o desastre que atingiu o leste chinês no mês de julho deste ano, o impacto sócio-econômico-ambiental local, bem como as repercussões esperadas numa escala global.

Como previsto, os desafios e prejuízos ao comércio mundial consequentes do ocorrido perduram há semanas.

O porto de Hong Kong, que teve a paralisação temporária de suas atividades para a passagem do Tufão In-Fa, estima que levará meses para normalizar suas operações e reverter o congestionamento de containers estufados prontos para o embarque nos navios que, por sua vez, aguardam em sua capacidade máxima a liberação de espaço nos terminais para atracar – desafio ainda maior considerando que, mesmo já reaberto, ainda opera abaixo de sua capacidade.

Breve resumo dos últimos acontecimentos na China e o cenário atual:
O Tufão chamado de “In-Fa” atingiu a costa leste da China e moveu-se lentamente para o norte, atravessando partes do centro-leste, levando inundações, tempestades e ventos implacáveis, afetando a programação e operações de transporte de cargas em diversos terminais tidos como “base” para as exportações e importações, tais como o aeroporto de Pudong (em Shangai) e os portos de Ningbo, Shanghai, Changzhou e Nanjing.

Shangai e Ningbo estão entre as regiões severamente afetadas; localizadas na orla do Delta do Rio das Pérolas, são um dos maiores portos de contêineres do mundo, e como tal, responsáveis por movimentar grandes quantidades de exportações chinesas que ajudam a sustentar a economia global.

Cenário operacional na Ásia:
• Os armadores, em geral, enfrentam grande dificuldade em liberar espaço nos navios para suprir a demanda de envio de cargas, decorrente do congestionamento dos portos. A falta de disponibilidade de containers vazios para futuros embarques estende-se até a primeira semana de agosto.

• Alguns armadores comunicaram que passarão a cobrar uma taxa adicional, nomeada de “Cancellation Fee”, aplicável ao cancelamento ou ajuste de reservas de embarque confirmadas, quando solicitados após o prazo pré-determinado por cada armador, usualmente tendo como base a data estimada de saída (Estimated Time Departure – ETD) do navio. Como exemplos, temos a Ocean Network Express (ONE), que aplicará a taxa de cancelamentos e/ou alterações com menos de 11 (onze) dias do ETD, e a CMA-CGM, para cancelamentos ou “no-show” (atraso ou não apresentação da carga dentro do prazo determinado – “deadline”) com menos de 03 (três) semanas do ETD.

• Devido à falta de espaço, são esperadas rolagens de reservas sem aviso prévio pelos armadores e atrasos nas programações de saída/ETD e chegada/ETA dos navios, informadas no Booking.

*ATENÇÂO: Com a transferência/ alteração das programações, o chamado “free-time” (período livre) outorgado pelos armadores para o uso do container (detetion/demurrage) e pelos terminais portuários (período de estadia/armazenagem da carga até o carregamento à bordo do navio) não é alterado/estendido, devendo o exportador/ importador atentar-se aos custos extra decorrentes dos mesmos, já que, usualmente, os armadores e terminais se isentam de qualquer responsabilidade (especialmente quando ocasionados por motivos de “força maior”, como é o caso de atrasos decorrentes de condições climáticas desfavoráveis)

• Cargas leves (até 10 toneladas por container) terão prioridade pelos armadores no momento da liberação de novas reservas. Para cargas pesadas, a sugestão é trabalhar com a atencipação na solicitação de reserva, com base na confirmação (ou previsão) de prontidão da carga.

*Atenção: Caso optado por trabalhar com a antecipação de reserva prévio à prontidão das mercadorias, qualquer imprevisto na programação de produção/estufagem/entrega da carga que leve ao atraso ou não cumprimento do prazo estipulado no Booking, acarretará em custos adicionais e até mesmo, à perda do embarque.

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